A História da Educação Física no Brasil

By | agosto 14, 2018

Introdução: História da Educação Física no Brasil

Caçar, correr, lutar, saltar, todos esses movimentos básicos para a sobrevivência do ser humano primitivo iniciaram as atividades que hoje conhecemos como Educação Física. Ao longo do tempo, a Educação Física mostrou sua importância no mundo e firmou-se no Brasil com o incentivo de políticas públicas que transformaram nossa forma de ver a sociedade e o ensino escolar. Conheça mais sobre a história da Educação Física no Brasil em nosso post.

Quando e Onde surgiu a Educação Física?

O registro histórico mais remoto sobre a origem da Educação Física data em 3.000 AC, na China. O imperador Hoang Ti iniciou um sistema educacional primitivo com práticas e exercícios físicos que tinham finalidades higiênicas e terapêuticas, visando transformar guerreiros.

História da Educação Física no Mundo

O surgimento da Educação Física na humanidade foi fundamentado em aspectos doutrinários com códigos políticos, sociais, civis e religiosos que eram indispensáveis às necessidades militares e ao alicerce cultural da sociedade.

Das civilizações mais antigas, a Índia apresentava os primeiros movimentos da ginástica com a Yoga e técnicas de respiração. No Japão, os fundamentos médico-higiênicos e morais eram a base de toda atividade física do guerreiro samurai.

Pinturas nas paredes do Antigo Egito revelavam a valorização da força, resistência, flexibilidade e equilíbrio como qualidades físicas desejadas que também eram compartilhadas em Roma, no treinamento militar de seus soldados.

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Evolução Histórica da Educação Física

Foi na Grécia Antiga, com os filósofos Aristóteles e Platão, que a Educação Física tornou-se um elemento essencial para a educação social.

O culto ao corpo esbelto, ao aperfeiçoamento físico, à beleza e à estética –características da cultura que também enfatizava o caráter militar – eram incentivados em Planos Educacionais aos jovens helenos com músicas e ginásticas para alcançar a perfeição da alma.

A busca pela harmonia entre físico e intelecto gerou inúmeros festivais gregos que celebravam a beleza humana em forma de dança, arte, atletismo e honra aos deuses, sendo Atenas um grande marco para a história do esporte ao realizar os primeiros Jogos Olímpicos em 776 AC.

Escolas de Educação Física Modernas

Já na Idade Contemporânea, quatro principais Escolas foram as responsáveis pela pedagogia moderna que se consolidou no início do século XIX e inseriu a Educação Física como disciplina na grade curricular escolar dos países: Nórdica, Inglesa, Francesa e Alemã.

Essas duas últimas, em especial, tiveram grande influência na corrente de pensamento que introduziu a Educação Física no Brasil.

Surgimento da Educação Física no Brasil

Os princípios que nortearam a introdução da Educação Física no país surgiram em 1810 com a Carta Régia que implementava a Ginástica Alemã na Academia Real Militar, no Brasil Império.

Das iniciativas do meio político e intelectual, cabe destacar o primeiro livro brasileiro de Educação Física: o “Tratado de Educação Física – Moral dos Meninos”, escrito por Joaquim Jerônimo Serpa, em 1828, que enfatizava a saúde do corpo e espírito.

O parecer de Rui Barbosa em 1882 – “Reforma do Ensino Primário” – tratou a Educação Física como parte fundamental para a formação moral da juventude e reforçou sua importância na grade escolar. Foi o início da história da Educação Física Escolar no Brasil e das grandes fases que passaria.

Conheça as Fases da Educação Física no Brasil

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Educação Física Higienista (1889 a 1930)

O pensamento médico-higienista promovia medidas sanitárias, sociais e educacionais que tinham como objetivo o aprimoramento das qualidades hereditárias (eugenia) e o afastamento das pessoas de práticas e vícios que poderiam deteriorar a vida coletiva, uma preocupação das elites para a consolidação de uma nova sociedade industrial e seu treinamento militar.

Em 1870, a ginástica passava a ser uma disciplina prática obrigatória em todas as escolas e, nos anos seguintes, também foi estendida ao sexo feminino. Em 1929, o Conselho Superior de Educação Física, subordinado ao Ministério da Guerra, ficava com o papel centralizador das atividades relativas à matéria e ao desporto.

Educação Física Militarista (1930 a 1945)

A Educação Física foi vista como um poderoso suporte para o fortalecimento do Estado. Houve a militarização do corpo com ações que promoviam a ordem moral e cívica e o preparo físico para a defesa da nação, além do aprimoramento para a força de trabalho. A eugenia ainda mantinha sua expressividade.

Em 1931, a Reforma Francisco Campos tornou a Educação Física, enquanto ginástica, obrigatória no ensino secundário. Foi o momento em que surgiram as primeiras escolas superiores de Educação Física, enquanto o método francês aplicado enfatizava os desportos coletivos.

Educação Física Pedagogicista (1945 a 1964)

Com o fim do Estado Novo, a ginástica perdeu espaço para o esporte e a Educação Física começou a ser encarada como uma prática educativa. A matéria foi dirigida para a saúde (mental e física), caráter moral, preparação vocacional e incentivada a ser realizada nas horas livres, buscando-se a promoção da educação integral.

Mesmo assim, a fase pedagógica da Educação Física não realizou mudanças significativas, regularizando apenas o que já estava estabelecido anteriormente.

Educação Física Competitivista (1964-1985)

Com o espírito nacionalista instigado pela Ditadura Militar na década de 70, a Educação Física baseou-se na pedagogia tecnicista com metas na produtividade. A política educacional trazia a valorização do esporte em detrimento a outras práticas, priorizando o rendimento físico e movimentos mecânicos para se atingir um melhor desempenho esportivo.

Professor virou “treinador” e o aluno “atleta”, na busca por heróis que orgulhassem a nação. A Educação Física ganhou um grande investimento no período, além do caráter ideológico que incentivou a competição e a superação individual.

Educação Física Popular (1985 até hoje)

O modelo anterior foi bastante contestado por educadores. Novas tendências, com a abertura democrática na sociedade, surgiram para a Educação Física. A fase popular teve como base a organização, solidariedade, ludicidade e mobilização que envolvesse o ser humano nas práticas corporais.

Foi o período em que ocorreu o boom das academias, a valorização do fitness e da musculação. A partir da década de 90, a qualidade de vida ganhou destaque na preocupação social e a Educação Física foi valorizada como um alicerce essencial para o bem-estar.

Nos currículos escolares, a Educação Física também foi aplicada nas séries iniciais, proporcionando, desde cedo, formas recreativas, alegres, educativas e inclusivas para o desenvolvimento psicomotor do aluno e suas potencialidades em diversas dimensões e fases.

E apesar da ocorrência de algumas reformas políticas atuais na educação, a Educação Física no Brasil segue como uma grande e importante promotora de saúde que beneficia toda a população.

A Regulamentação da Educação Física

Em 1998 o processo de regulamentação da profissão Educação Física foi aprovado pelo Congresso Nacional brasileiro, criando o sistema CONFEF/CREF, e promulgado pelo Presidente da República em 01/09/98. Desde então o dia 1º de Setembro passou a ser o Dia do Profissional de Educação Física.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: A história que não se conta. 4ª ed. São Paulo: Papirus, 1994.

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